Projeto “Filhos são como Pipas” fortalece vínculos familiares e resgata brincadeiras tradicionais em Santa Carmem
Iniciativa da professora Gilmara Wilges envolve estudantes dos 5º e 6º anos e propõe momentos de convivência entre crianças e familiares, valorizando o diálogo, o afeto e as memórias da infância
Com o propósito de aproximar as famílias do cotidiano das crianças e proporcionar momentos de convivência, diálogo e afeto, está sendo desenvolvido em Santa Carmem o Projeto “Filhos são como Pipas”, iniciativa idealizada pela professora Gilmara Wilges.
Em sua primeira edição, o projeto envolve estudantes dos 5º anos C e D e do 6º ano A, propondo atividades que incentivam a participação dos familiares e o resgate de brincadeiras tradicionais que fizeram parte da infância de muitas gerações.
Segundo a professora Gilmara, a iniciativa nasceu da percepção de que a rotina das famílias mudou significativamente nos últimos anos. O trabalho, o cansaço do dia a dia e o uso frequente de celulares, computadores, televisão e outros dispositivos eletrônicos têm ocupado cada vez mais espaço nos momentos de convivência familiar.
A proposta, portanto, é criar oportunidades para que pais, filhos e familiares possam desconectar-se das telas e reconectar-se uns com os outros.
“Eu tive a intenção de montar esse projeto principalmente para estreitar a relação entre pai e filho, entre a família, tentando resgatar algumas brincadeiras e algumas coisas que a gente fazia na infância”, explica Gilmara.
A pipa como símbolo da relação entre pais e filhos
O próprio nome do projeto carrega uma mensagem simbólica. Para a professora, a pipa representa a relação entre a criança e sua família.
Assim como a pipa precisa de uma linha para permanecer conectada a quem está no chão, a criança também precisa contar com proteção, orientação e apoio familiar enquanto desenvolve sua autonomia e constrói seu próprio caminho.
A linha, segundo Gilmara, representa esse vínculo que nunca deve ser perdido. Em determinados momentos, é preciso dar espaço para que o filho cresça e experimente; em outros, é necessário orientar e intervir para ajudá-lo a encontrar o caminho.
A metáfora também representa o incentivo oferecido pelos familiares para que a criança possa “ganhar altura”, desenvolver suas capacidades e seguir em frente, sempre sabendo que existe uma base segura ao seu lado.
Resgatando brincadeiras e histórias da infância
Uma das propostas desenvolvidas pelo projeto foi a construção de pipas em família, utilizando materiais recicláveis e itens que já estavam disponíveis nas próprias casas.
A atividade permitiu que pais e filhos participassem juntos de todas as etapas da construção, desde a preparação das varetas até a montagem e o momento de colocar a pipa no ar.
Mas, para além da construção do brinquedo, o objetivo foi proporcionar conversa e troca de experiências.
Enquanto ensinavam os filhos, os familiares também relembravam histórias de sua própria infância: as brincadeiras, as aventuras, as disputas entre amigos e as situações vividas quando eram crianças.
Para Gilmara, esse processo é justamente um dos grandes diferenciais da iniciativa.
“Enquanto o pai vai ensinando, ele vai contando histórias do que aprontava, do que fazia quando era criança. Isso estreita a relação entre pai e filho”, relata.
A professora também destaca que a proposta foi pensada para contemplar as diferentes configurações familiares. Por isso, as atividades puderam ser realizadas com pais, mães ou outros familiares que exerçam esse papel de referência, cuidado e orientação na vida da criança.
Uma experiência que gerou emoção nas famílias
Ao longo do desenvolvimento do projeto, a professora recebeu relatos de familiares que se emocionaram com a oportunidade de participar das atividades junto com as crianças.
Gilmara conta que alguns pais chegaram a entrar em contato espontaneamente para compartilhar a experiência e agradecer pela iniciativa.
Um dos relatos foi de um pai que participou do momento de soltar pipa com a filha e, posteriormente, ligou para a professora para contar a felicidade que havia sentido ao reviver aquela experiência ao lado da família.
Para a professora, esses retornos demonstram que o projeto conseguiu alcançar um de seus principais objetivos: criar momentos que possam se transformar em memórias afetivas para as crianças.
“Eu quero estimular o afeto da criança e fazer com que ela tenha histórias para contar no futuro também, para que ela possa saborear esse momento que, para nós, era tão especial”, destaca Gilmara.
Encerramento acontece neste sábado
A 1ª edição do Projeto “Filhos são como Pipas” terá seu encerramento no próximo sábado, 26 de setembro de 2026, a partir das 7h da manhã.
A programação será realizada no Pavilhão do CTG Paixão Sem Fronteiras, localizado ao lado do Parque de Exposições de Santa Carmem, reunindo os estudantes participantes e suas famílias.
O encerramento contará ainda com premiação para o 1º, 2º e 3º lugar, como forma de valorizar a participação dos estudantes nas atividades desenvolvidas durante o projeto.
Mais do que uma atividade escolar, o projeto busca deixar uma mensagem que ultrapassa os muros da escola: filhos precisam de espaço para crescer, mas também precisam de vínculos, orientação, proteção e presença familiar.
A iniciativa da professora Gilmara Wilges mostra que uma simples brincadeira, como construir e soltar uma pipa, pode abrir espaço para conversas, histórias, risadas e momentos que permanecem na memória — fortalecendo os laços entre as crianças e suas famílias.